EUA ameaçam países das Américas com intervenção semelhante à da Venezuela
World Economic Forum / Benedikt von Loebell

Documento do Pentágono afirma que vai priorizar a região, garantir acesso a áreas consideradas estratégicas e prevê “medidas decisivas” se parceiros não colaborarem.

O governo dos Estados Unidos divulgou na sexta-feira (23/1) sua nova Estratégia Nacional de Defesa, um documento que redesenha prioridades militares e traz recados diretos a países do chamado Hemisfério Ocidental, expressão usada para se referir às Américas e ao entorno estratégico da região.

Assinada pelo secretário de Defesa Pete Hegseth, a estratégia afirma que a principal missão das Forças Armadas é “defender o território” e, ao mesmo tempo, atuar de forma ativa para proteger interesses norte-americanos no hemisfério. Entre os pontos destacados, o texto fala em garantir “acesso militar e comercial” dos EUA a áreas consideradas chave, citando especificamente o Canal do Panamá, o “Golfo da América” e a Groenlândia.

O documento também sustenta que Washington pretende “engajar de boa fé” com vizinhos e parceiros, do Canadá à América Central e do Sul, mas condiciona essa relação a compromissos de “respeito” e de contribuição para interesses comuns. Caso isso não ocorra, a estratégia afirma que os EUA estarão prontos para “ações focadas e decisivas” para avançar seus objetivos.

“Corolário Trump” e referência à Doutrina Monroe

Ao justificar a diretriz para as Américas, a Estratégia Nacional de Defesa menciona a Doutrina Monroe, política externa do século 19 frequentemente associada à ideia de influência dos EUA no hemisfério. O texto chama sua abordagem de “Corolário Trump” e diz que as Forças Armadas estariam prontas para aplicá-lo “com rapidez, poder e precisão”, citando como exemplo a Operação Absolute Resolve.

Em outra parte, o documento menciona Nicolás Maduro ao tratar de ações contra “narco-terroristas” e diz que a operação teria servido de recado.

Mudança de foco e pressão por mais responsabilidades

A nova estratégia, de 34 páginas, marca uma inflexão em relação a documentos anteriores ao priorizar a defesa do território e reforçar a ideia de que aliados devem assumir mais responsabilidades por sua própria segurança, enquanto os EUA concentram recursos em áreas consideradas centrais.

O texto foi divulgado sob a marca “Department of War”, nomenclatura que passou a ser usada pelo governo, embora o nome formal do órgão siga sendo o Departamento de Defesa.

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