Guerra em Gaza divide eleitores e causa impacto nas eleições dos EUA

Prestes a completar um ano, a guerra entre Israel e Hamas continua sem um desfecho à vista. Desde o início do conflito na Faixa de Gaza, os Estados Unidos têm apoiado Israel com financiamento, envio de armamentos e suprimentos, o que colocou a política externa do país sob os holofotes. O tema Israel-Palestina, agora, influencia diretamente a opinião pública e poderá impactar as eleições presidenciais de 2024.
De acordo com uma pesquisa da Reuters/Ipsos, 55% dos norte-americanos acreditam que a política externa dos EUA está no caminho errado, sendo a guerra em Gaza um dos principais pontos de crítica. Outro levantamento da Gallup revelou que o apoio à Palestina nos EUA subiu de 19% para 27%, enquanto a simpatia por Israel caiu de 64% para 51%. A pesquisa também indica uma divisão partidária significativa: os democratas mostram maior simpatia pelos palestinos, enquanto republicanos e independentes tendem a apoiar os israelenses.
A aprovação da ação militar israelense em Gaza caiu de 50% para 36%, de acordo com a Gallup. Entre os democratas, apenas 18% apoiam as operações de Israel, enquanto 75% desaprovam. Já entre os republicanos, 64% são favoráveis à ação militar de Israel, com 30% contrários.
Eleitores muçulmanos como força decisiva em 2024
Com as eleições presidenciais de 2024 se aproximando, os eleitores muçulmanos nos EUA poderão desempenhar um papel crucial em estados-chave como Wisconsin, Arizona, Michigan, Geórgia e Minnesota, onde as populações muçulmanas estão crescendo. Nesses estados, onde a disputa eleitoral costuma ser acirrada, o posicionamento dos candidatos em relação à guerra entre Israel e Hamas pode influenciar significativamente o resultado.
Jake Sullivan, diretor-executivo nacional do Comitê Antidiscriminação Árabe-Americano, ressaltou em entrevista à ABC News o papel das mídias sociais no aumento do interesse sobre o conflito. Ele questiona se, no início dos anos 2000, a Guerra do Iraque teria se desenrolado de forma diferente caso redes sociais como TikTok e Instagram já existissem, afirmando que elas têm um impacto poderoso na forma como o público norte-americano consome notícias.
A percepção do conflito nos EUA
A brasileira Tifani Schmöller, 24, que reside nos EUA, observa como o conflito está presente no cotidiano americano. Ela aponta que, devido à recessão e à falta de políticas públicas, muitos jovens estão reconsiderando seus votos com base nas posições dos candidatos sobre a guerra em Gaza. “As pessoas estão revoltadas com os Estados Unidos gastando muito dinheiro em uma guerra na qual nem deveriam estar envolvidos”, relata Tifani.
Além disso, a jovem nota a presença de sinais do conflito nas ruas americanas. “O que nos faz lembrar da guerra todos os dias aqui são os cartazes de apoio a um ou outro lado. A cada duas casas, há uma placa dizendo ‘Free Palestine’ ou ‘We Stand With Israel’. Em algumas casas, colocaram bandeiras”, descreve.
Com o conflito israelense-palestino ganhando mais espaço nas eleições presidenciais, o futuro da política externa dos EUA pode ser moldado pelos eleitores que exigem uma nova abordagem para o Oriente Médio.

