Explosão de pagers no Líbano: Hezbollah acusa Israel e promete retaliação
Marwan Naamani/picture alliance via Getty Images

O clima de medo e tensão tomou conta do Líbano e de todo o Oriente Médio nesta terça-feira (17), após um aparente ataque cibernético deixar pelo menos onze mortos e cerca de 4 mil pessoas feridas. A ação, que envolveu a explosão simultânea de pagers em várias partes do país e também em regiões da Síria, gerou pânico e novas preocupações em meio a um cenário já instável.

Segundo o grupo xiita Hezbollah, dispositivos eletrônicos utilizados por seus membros explodiram por volta das 15h30 (horário local). O Hezbollah acusa Israel de ser o responsável pela ação, embora o governo israelense não tenha reivindicado o ataque até o momento. Em resposta, o Hezbollah prometeu retaliação em “grande escala”, mas sem fornecer detalhes sobre a natureza ou o local de uma possível ofensiva.

O ataque resultou em uma quantidade significativa de vítimas, com o Ministério da Saúde do Líbano confirmando que mais de 2 mil feridos estão recebendo tratamento. Destes, aproximadamente 200 estão em estado crítico devido aos graves ferimentos causados pelas explosões. O ministro da Saúde, Firas al-Abyad, afirmou que a maioria dos feridos apresenta lesões no rosto, mãos, braços e abdômen.

Entre os feridos está Mojtaba Amani, embaixador do Irã no Líbano. Embora o diplomata tenha sofrido apenas ferimentos leves, sua participação entre as vítimas eleva ainda mais a complexidade diplomática do incidente.

As explosões ocorreram em um momento já delicado para o Líbano, um dia após o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, sugerir uma escalada nas operações contra o Hezbollah na fronteira libanesa. Netanyahu defendeu uma “mudança fundamental” na abordagem israelense, buscando garantir a segurança dos moradores do norte de Israel, que foram deslocados devido ao aumento das hostilidades entre as duas partes.

Desde o início do conflito na Faixa de Gaza, o Hezbollah, apoiado pelo Irã, tem intensificado suas ofensivas contra posições israelenses na fronteira. A situação se agravou, com ambos os lados realizando bombardeios e ataques mútuos, levando a temores crescentes de uma nova guerra em larga escala no Oriente Médio.

Em uma declaração oficial, as Forças de Defesa de Israel (IDF) afirmaram que, até o momento, não houve mudanças em suas diretrizes para os civis, embora tenham solicitado à população que permaneça vigilante. “Não há mudança nas diretrizes defensivas do Comando da Frente Interna. O público deve se manter alerta e qualquer atualização será comunicada imediatamente”, informou o porta-voz das IDF.

A escalada de tensões deixa a região em um estado de alerta constante, com incertezas sobre os próximos passos, tanto do Hezbollah quanto de Israel. A possibilidade de uma retaliação do grupo xiita coloca a comunidade internacional em alerta, enquanto os civis no Líbano, Israel e outras áreas do Oriente Médio enfrentam a crescente ameaça de uma nova conflagração.

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