Zelensky afirma que Ucrânia investigará míssil lançado pela Rússia

Em meio à intensificação do conflito, o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky afirmou nesta quinta-feira (21/11) que a Rússia disparou um míssil balístico intercontinental (ICBM) contra a cidade de Dnipro. A denúncia foi feita em suas redes sociais, onde classificou a ação como um reflexo do “medo avassalador” do presidente russo, Vladimir Putin.
O ataque em Dnipro, no centro-leste da Ucrânia, marca uma nova e preocupante etapa na guerra. Segundo a força aérea ucraniana, o míssil foi disparado a partir da região de Astrakhan, na Rússia, e tinha como alvo empresas e infraestrutura local. Trata-se do primeiro ataque registrado com um ICBM, arma de alta precisão e alcance intercontinental, capaz de transportar ogivas convencionais ou nucleares.
Em declaração na rede social X, Zelensky criticou a postura de Putin, afirmando que “o medo é tão avassalador que lança míssil após míssil, vasculhando o mundo em busca de mais armas — seja do Irã ou da Coreia do Norte”. O presidente ucraniano também destacou que a velocidade e altitude do projétil sugerem capacidades intercontinentais, embora reforçasse que “as investigações estão em andamento”.
Ainda nesta quinta-feira, o líder ucraniano aproveitou a data para lembrar o aniversário do Euromaidan, movimento de protestos iniciado em 2013 contra a corrupção e a influência russa no governo ucraniano. “Dignidade. É uma das palavras que definem a Ucrânia. E é uma palavra que provavelmente nunca mais será dita sobre a Rússia”, declarou Zelensky.
Enquanto isso, o Ministério da Defesa da Rússia relatou a interceptação de dois mísseis britânicos “Storm Shadow” supostamente lançados pela Ucrânia, mas se recusou a comentar sobre o ataque a Dnipro. Em paralelo, fontes ucranianas afirmaram a interceptação de seis mísseis de cruzeiro Kh-101 disparados pelos russos.
A tensão se agravou ainda mais após reportagens divulgadas pelo jornal britânico The Guardian, que indicam o uso inédito de mísseis fabricados no Reino Unido pela Ucrânia contra alvos russos. Essa escalada evidencia o caráter imprevisível do conflito e o crescente risco de envolvimento de armas de alta tecnologia e maior poder destrutivo.
O conflito entre Ucrânia e Rússia, que se arrasta desde fevereiro de 2022, já devastou regiões inteiras e gerou uma crise humanitária de proporções globais. Com a introdução de mísseis intercontinentais no campo de batalha, o temor de uma escalada ainda mais letal reforça a necessidade de esforços diplomáticos para pôr fim ao confronto.

