Risco de novos surtos: os vírus que a ciência acompanha com atenção em 2026

Com clima mais quente, maior circulação de pessoas e vírus em constante mutação, especialistas alertam para ameaças que podem ganhar força neste ano, com destaque para a gripe aviária H5N1.
Vírus não respeitam fronteiras e podem se espalhar com rapidez em um mundo mais conectado. Além disso, mudanças ambientais e o crescimento populacional aumentam o contato entre seres humanos e animais, criando oportunidades para que patógenos circulem, se adaptem e cheguem a lugares inesperados.
É nesse cenário que pesquisadores acompanham, com ainda mais atenção, alguns vírus que podem provocar surtos em 2026, seja pelo risco de maior transmissibilidade, seja pela ampliação de áreas afetadas.
Influenza A: a preocupação constante e o alerta para o H5N1
A influenza A é uma ameaça permanente porque infecta diferentes espécies e muda rapidamente. A história recente mostra como esses vírus podem surpreender, como ocorreu com a pandemia de H1N1 em 2009.
Nos últimos anos, o foco de vigilância se voltou para uma variante de gripe aviária altamente patogênica, o H5N1. A transmissão do vírus entre aves e mamíferos elevou o alerta de cientistas, por abrir caminho para adaptações que facilitem a infecção em humanos. O principal temor é o surgimento de uma cadeia sustentada de transmissão entre pessoas, um marco que costuma anteceder pandemias.
Especialistas também observam que as vacinas sazonais de gripe não foram desenhadas para proteger contra o H5N1, embora haja esforços em andamento para desenvolver imunizantes mais específicos.
Mpox: presença global e cenário ainda incerto
O mpox, conhecido anteriormente como varíola dos macacos, deixou de ser uma doença rara e localizada para se tornar uma preocupação global. O vírus é associado principalmente a roedores e pode alcançar humanos em determinadas condições.
O surto internacional registrado em 2022 mostrou que, em contextos de contato próximo, o mpox pode se espalhar com rapidez, alcançando países que nunca haviam registrado casos. Mesmo com a queda de notificações após o pico, a circulação do vírus em diferentes regiões segue no radar, e autoridades de saúde monitoram variantes com potencial de maior gravidade.
Oropouche: vírus transmitido por insetos e com tendência de expansão
O vírus oropouche é transmitido por mosquitos e pequenos insetos picadores, conhecidos como maruins. Os sintomas costumam incluir febre, dor de cabeça e dores no corpo, e em alguns casos pode haver fraqueza prolongada e recaídas.
Durante muito tempo, as infecções humanas eram associadas principalmente à região amazônica, mas o registro em áreas mais amplas das Américas aumentou a atenção sobre a capacidade de expansão do vírus. Em 2026, a expectativa é de que surtos sigam afetando também viajantes, com risco de novos locais registrarem casos, especialmente onde os vetores estão presentes.
Outras ameaças que seguem no radar
Além desses vírus, especialistas monitoram:
-
Chikungunya, com surtos em diferentes países e impacto em viajantes
-
Sarampo, com aumento de casos em cenários de queda da cobertura vacinal
-
HIV, com preocupação sobre retrocessos em prevenção e assistência em alguns contextos
-
Vírus ainda desconhecidos, que podem emergir quando ecossistemas são alterados e a circulação global se intensifica
A mensagem central dos pesquisadores é que vigilância, vacinação quando disponível e resposta rápida a surtos continuam sendo as melhores ferramentas para reduzir riscos.

