Justiça bloqueia R$ 227 mil de ex-esposa de Bolsonaro por irregularidades em contas de campanha

Tribunal identificou falta de comprovação de despesas custeadas com recursos do Fundo Eleitoral e determinou o bloqueio de bens para garantir o ressarcimento.

Crédito: Reprodução/Facebook

A Justiça Eleitoral determinou o bloqueio de R$ 227 mil, valor atualizado com correção monetária, de Ana Cristina Valle, segunda ex-esposa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em razão de irregularidades na prestação de contas da campanha eleitoral de 2022.

Candidata ao cargo de deputada distrital pelo Progressistas no Distrito Federal, Ana Cristina recebeu 1.485 votos e não foi eleita.

De acordo com o Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF), a campanha declarou despesas de R$ 303.488,96. No entanto, cerca de R$ 134,4 mil, valor que corresponde a 44,31% dos gastos e que, após atualização monetária, chegou a R$ 227 mil, não teve comprovação documental.

A análise das contas apontou diversas inconsistências envolvendo recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC). Entre as irregularidades estão a ausência de notas fiscais, contratos e comprovantes de prestação de serviços, além da falta de documentação que comprovasse despesas com militância, alimentação, combustível, aluguel de bens e impulsionamento de conteúdo na internet.

O relatório destaca ainda um pagamento de R$ 35.150 destinado a atividades de militância sem comprovação da execução dos serviços, R$ 3 mil em gastos com combustível sem vínculo demonstrado com veículos utilizados na campanha e despesas com aluguel de imóvel referentes a período posterior ao término das eleições.

Durante o processo, Ana Cristina foi intimada em duas ocasiões para apresentar esclarecimentos e documentos complementares, mas não respondeu às solicitações da Justiça Eleitoral. Segundo o relator, a ausência de manifestação reforçou a gravidade das irregularidades. Além disso, a prestação de contas final foi entregue fora do prazo legal.

Caso os valores bloqueados não sejam suficientes para quitar o débito, a decisão prevê que a medida poderá ser estendida a outros bens da ex-candidata, como imóveis e veículos.

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