Inédito: transplante de rosto usa doadora que optou por eutanásia

Hospital Vall d’Hebron, em Barcelona, realizou transplante parcial em paciente com necrose grave; equipe teve cerca de 100 profissionais e cirurgia durou 24 horas.
O Hospital Universitário Vall d’Hebron, em Barcelona, na Espanha, realizou o primeiro transplante de face do mundo com doação vinda de uma pessoa que havia solicitado morte assistida, segundo o hospital e agências internacionais. O procedimento foi um transplante parcial da região central do rosto e teve como receptora uma mulher identificada como Carme.
Por que o caso é considerado pioneiro
A novidade não está no transplante de face em si, que já existe há duas décadas, mas na origem da doação: a doadora manifestou previamente, de forma expressa, o desejo de doar também o rosto antes do procedimento de morte assistida. Isso permitiu planejamento detalhado da cirurgia, com tecnologia 3D e preparação da equipe.
O que aconteceu com a paciente
Carme enfrentava necrose grave na face após uma infecção bacteriana, o que comprometia funções básicas como alimentação, respiração e fala, de acordo com os médicos. Quatro meses após o transplante, o hospital informou que a paciente já apresentava melhora nessas funções e retomava atividades do dia a dia.
Uma cirurgia de alta complexidade
A operação durou cerca de 24 horas e mobilizou aproximadamente 100 profissionais, incluindo equipes cirúrgicas e de anestesia, além de suporte para planejamento e reabilitação. A técnica envolve microcirurgia para reconectar vasos e nervos, garantindo sensibilidade e movimento.
Contexto: transplantes de face e o histórico do hospital
O primeiro transplante parcial de face do mundo foi realizado em 2005, na França. Já o Vall d’Hebron ficou marcado por ter feito o primeiro transplante total de face em 2010, segundo registros científicos e reconhecimentos internacionais.
Eutanásia e doação na Espanha
A Espanha legalizou a eutanásia em 2021 e é referência mundial em transplantes. Segundo dados citados por agências, o país realizou cerca de 6.300 transplantes no último ano e registrou 426 procedimentos de morte assistida em 2024.

