Lula vai à Índia com missão para ampliar comércio e parcerias tecnológicas
Marcelo Camargo/Agência Brasil

Viagem ocorre de 19 a 21 de fevereiro e busca diversificar exportações, atrair investimentos e fortalecer cooperação em áreas estratégicas.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lidera uma missão oficial à Índia entre os dias 19 e 21 de fevereiro, com foco em ampliar as parcerias comerciais e abrir novas frentes de cooperação tecnológica com o país mais populoso do mundo. A estratégia do governo é aumentar o leque de produtos negociados e, ao mesmo tempo, reduzir a dependência econômica dos grandes polos globais, especialmente Estados Unidos e China.

Auxiliares do Planalto indicam que Lula quer uma comitiva robusta. Para isso, a ApexBrasil abriu credenciamento para até 200 empresários integrarem a delegação. Até a última sexta-feira, cerca de 150 inscrições já haviam sido registradas.

O que está em jogo nas conversas com a Índia

A aproximação entre os países vem sendo construída desde 2025. Em outubro, Geraldo Alckmin e José Múcio Monteiro se reuniram com o ministro da Defesa indiano, Rajnath Singh, para tratar de temas ligados à soberania e à área de Defesa. Na mesma viagem, Alckmin também abordou a ampliação do Acordo de Preferências Tarifárias Mercosul-Índia, em vigor desde 2009.

Na última sexta-feira (23/1), Lula conversou por telefone com o primeiro-ministro Narendra Modi. Entre os temas, esteve a defesa de mudanças nas Nações Unidas e no Conselho de Segurança.

Outro sinal da prioridade dada à relação é a instalação de um escritório de negócios brasileiro no país, iniciativa reservada a um número reduzido de destinos no mundo.

Comércio em alta, mas com desequilíbrio

A Índia foi o décimo principal destino das exportações brasileiras em 2025, com US$ 6,9 bilhões. No mesmo período, o Brasil importou US$ 8,4 bilhões do país asiático, resultando em déficit de US$ 1,5 bilhão.

O governo quer reduzir a concentração das vendas externas. Em 2025, o petróleo respondeu por cerca de 30% do que o Brasil exportou para a Índia. As exportações e importações cresceram no ano, com altas de 30,2% e 21,9%, respectivamente.

Parcerias além do comércio

A agenda também mira cooperação em áreas consideradas estratégicas, como biocombustíveis, terras raras e soluções de pagamentos, incluindo discussões sobre integração entre o Pix e o sistema indiano de transferências. Há ainda previsão de oferta de cooperação voltada à agricultura familiar, com participação de representante da Embrapa na comitiva.

Preparação para atrair investimentos

Para reforçar o caráter econômico da visita, o Brasil alugou por dois dias um auditório com capacidade para cerca de 500 pessoas. A expectativa é que Lula se reúna com grandes investidores indianos e que a agenda inclua anúncios de investimentos planejados para os próximos anos.

Nos bastidores, o Planalto também vê a viagem como oportunidade de consolidar a imagem de Lula como liderança com interlocução internacional, em um momento em que o tema volta ao centro do debate político.

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