Um amigo animal

Rosi Czepula Meassi

Mesmo competindo com fortes concorrentes como os amigos virtuais, os animais ainda têm lugar garantido no coração do homem contemporâneo. E se fosse mesmo um jogo, os cachorros ganhariam de goleada. Quase todas as famílias têm um em casa. É uma cachorrada sem fim. É cachorro grandão com cara de mau, mas que não passa de propaganda enganosa, bastando apenas um sorriso pra ele abaixar a guarda. Tem cachorro assombração que aparece do nada e espanta todo mundo. Tem cachorro de apartamento que vive enfeitado e cheio de não me toques. Tem também aqueles pequenininhos e muito nervosos que quase sempre ficam roucos de tanto latir. Tem ainda os cachorros com cara de psicopatas que só pensam em fugir o tempo todo, derrubando tudo e todos que aparecem pela frente, mas quando voltam pra casa com aquele ar de cachorro abandonado, logo ganham o perdão dos donos. Tem cachorros que têm medo de gato. Tem os lindos, tem os feios de doer, tem os abandonados, mas tem também os adotados. E a relação entre o homem e o cachorro é tão intensa que, de melhor amigo o quadrúpede já subiu de posto, estreitou laços e agora virou parente. Sim, pois existem pessoas que os chamam de filhos. O que é um tremendo exagero. Mas, como manda a boa educação, nas questões de família é melhor não dar palpite. E além dessa diversidade canina o que chama atenção tanto quanto os tipos e personalidades dos bichos, são os seus nomes: Pipoca, Sultão, Hércules, Luka, Bonitinha, Branco, Pitico, Pitoco, Babalu,Capitu, Xuxa, Tobias e por aí vai. É uma mistura que sai da dispensa, passa pela mitologia grega, vai para a telona e pra telinha. Nomes escolhidos sempre com muito cuidado porque devem traduzir a personalidade do cão.

Conduzindo esse nosso texto animal, não é possível deixar de homenagear um dos felinos mais lindos da natureza, o gato. Ao contrário dos cachorros, os gatos não são muito populares. Eles são reservados, exigentes e ciumentos. Talvez esse conjunto de características seja o motivo pelo qual os bichanos são sempre injustiçados e incompreendidos, principalmente quando comparados aos cachorros. Em contrapartida, os gatos são amorosos ao extremo. Só se envolvem com quem realmente os conquista e, sempre que ouvimos o ronronar de um gatinho enquanto está no colo de alguém, podemos ter a certeza de que ele está retribuindo o carinho, está dizendo que gosta daquela pessoa. Esse barulho não é asma, não. É demonstração de amor. Mas quando a questão é nome, eles são iguais aos cães. Têm nomes de pessoas comuns, de chefes de estado, de legumes, de frutas, de heróis, reis, rainhas e a lista não tem fim. Grande também é a diversidade de gatos que encontramos por aí. Tem os peludos, os pelados, os arrepiados, os estressados e os preguiçosos. Tem até gato que bate em cachorro. Mas quase todos são independentes. Nunca ninguém viu, por exemplo, uma pessoa ter que sair do apartamento num dia frio e chuvoso para levar o gato passear. Todos os bichanos também gostam de um lugar quentinho pra dormir que pode ser ao sol, à beira do fogão à lenha, na frente da lareira ou no colo de alguém.

Mais popular que o cachorro e mais exigente que o gato só mesmo o papagaio. Eu conheço um, já idoso que fala pouco, resmunga muito, adora cantar e se esbaldar na chuva, gosta de churrasco e quando está em apuros ele sempre chama pela caçula da família que é uma espécie de versão feminina de São Francisco de Assis. Ele é o Rico e, ao contrário das leis da mãe natureza, não faz parte da cadeia alimentar dos gatos e cães da casa. Lá, no terreiro do Rico, quem manda é ele e os outros animais respeitam essa hierarquia animal.

Tem também os outros bichos de estimação. Uns, muito grandes, outros esquisitos, outros amedrontadores, outros roedores. Não importa se são fofos ou desengonçados, mansinhos ou estressados, os animais irracionais são criaturas do bem. Mas só que tem ou já teve um bicho na sua vida é que sabe do que eu estou falando.

 

 

 

 

 

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