Adeus ao orelhão: telefones públicos começam a ser retirados das ruas em 2026
José Cruz/Agência Brasil

Anatel prevê extinção gradual até dezembro de 2028, com exceção para áreas sem sinal 4G

O orelhão, um dos símbolos mais reconhecíveis das ruas brasileiras, está com os dias contados. A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) prevê que os telefones de uso público serão desativados de forma gradual em todo o país até 31 de dezembro de 2028, encerrando um ciclo de mais de cinco décadas na paisagem urbana.

A mudança ocorre depois do fim dos contratos de concessão ligados à telefonia fixa, que se encerraram em dezembro de 2025. Com a adaptação para o novo modelo de autorização do serviço, as operadoras passaram a estar autorizadas a iniciar a retirada de aparelhos que já não são considerados obrigatórios, principalmente carcaças e equipamentos desativados.

Segundo a Agência Brasil, ainda existem cerca de 30 mil terminais no país. Nem todos, porém, devem sumir de imediato: aproximadamente 9 mil telefones coletivos devem permanecer ativos em localidades onde não há ao menos sinal 4G, funcionando como alternativa mínima de comunicação até o prazo final de 2028.

A história por trás do design que virou ícone

O formato inconfundível do orelhão tem assinatura da arquiteta e designer Chu Ming Silveira. O modelo ficou conhecido internamente como Chu II e começou a ser inaugurado para o público no início de 1972, com instalações no Rio de Janeiro e em São Paulo.

A lógica do projeto era simples e inteligente: melhorar a acústica e dar mais conforto ao usuário em meio ao barulho das ruas. Com o tempo, o orelhão virou ponto de referência, local de recados, encontro marcado e, para muita gente, o primeiro contato com a “vida fora de casa” em ligações rápidas. Em seu auge, a rede chegou a ultrapassar 1,5 milhão de terminais no Brasil.

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