Groenlândia no centro da crise: Trump eleva o tom e Europa discute reação conjunta

Declarações do presidente dos EUA sobre controlar a ilha aumentam a tensão com aliados, levantam dúvidas sobre a coesão da Otan e reabrem o risco de guerra comercial com a União Europeia.
A ofensiva política do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para colocar a Groenlândia sob controle americano ganhou força a cada novo pronunciamento e passou a provocar reações mais duras na Europa. O tema, que por anos ficou no campo da provocação diplomática, agora pressiona diretamente a relação entre Washington e aliados históricos, com reflexos na Otan e no comércio transatlântico.
Na terça-feira, 20 de janeiro, Trump voltou a endurecer o discurso e afirmou que “não há volta” em seu objetivo, sem descartar medidas mais agressivas. Questionado sobre até onde iria, respondeu de forma vaga: “vocês vão descobrir”.
Por que a Groenlândia virou alvo
A Groenlândia é um território autônomo ligado ao Reino da Dinamarca, que responde por política externa e defesa. A ilha tem posição estratégica no Ártico, onde já existem estruturas militares dos Estados Unidos e interesses crescentes ligados a rotas e segurança na região.
Do lado groenlandês, a preocupação também subiu de nível. O primeiro-ministro Jens-Frederik Nielsen afirmou que considera improvável um conflito militar, mas disse que a possibilidade não pode ser descartada e que a população deve estar preparada para cenários de escalada.
Reação da Europa e pressão na Otan
Em resposta, a primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, reafirmou que soberania não está em negociação e que o país está disposto a dialogar sobre segurança e economia, mas não sobre abrir mão do território.
O tema também dominou discussões em fóruns internacionais. Em Davos, o presidente francês Emmanuel Macron criticou a “lei do mais forte” e defendeu que a Europa não ceda a intimidações. Já a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, voltou a falar em independência estratégica do continente em um cenário de “mudança sísmica” no ambiente geopolítico.
Risco econômico e a resposta “bazuca” da União Europeia
A crise não ficou restrita à diplomacia. A ameaça de tarifas americanas ligadas ao impasse da Groenlândia acelerou discussões sobre retaliação comercial na União Europeia, incluindo a reativação de um pacote que pode alcançar 93 bilhões de euros e a possível adoção do Instrumento Anticoerção, mecanismo criado para responder a pressões econômicas de outros países.
A avaliação entre diplomatas é que o episódio pode testar a unidade europeia e a capacidade de coordenação do bloco diante de uma pressão direta dos Estados Unidos, em um momento de sensibilidade para a segurança no Atlântico Norte.

