Esposa de pastor da Igreja Sião é presa na China em nova ofensiva contra líderes cristãos

Su Ziming foi detida por suposto “uso ilegal de rede de informação”; mais de 20 membros e pastores seguem presos após megaoperação em outubro

A polícia de Beihai, na província chinesa de Guangxi, prendeu Su Ziming, esposa do pastor Wang Lin, um dos principais líderes da Zion Church (Igreja Sião), alvo de uma ampla operação repressiva do governo chinês no fim de outubro. A detenção ocorreu  em 13 de novembro, mas, segundo familiares, nenhuma notificação formal foi entregue até agora.

Su Ziming é acusada de “uso ilegal de rede de informação”, uma tipificação inédita contra cristãos no país e que, de acordo com a organização China Aid, foi empregada como forma de punir indivíduos suspeitos de compartilhar conteúdo religioso ou social considerado sensível. Analistas avaliam que a prisão seria uma estratégia para pressionar ainda mais o pastor Wang Lin, já detido no Centro de Detenção nº 2 de Beihai, levando-o a aceitar as imposições das autoridades.

A Igreja Sião, uma das maiores igrejas domésticas da China, já teve mais de 23 colaboradores, membros e líderes presos, detidos ou intimados desde a megaoperação. As ações ocorreram em cidades como Pequim, Xangai, Zhejiang, Shandong, Guangdong e Guangxi. Alguns religiosos, entre eles os pastores Lin Shucheng e Sun Xue, foram soltos sob fiança, enquanto aguardam julgamento.

Wang Lin, de 42 anos, é advogado e doutor em teologia pelo Wheaton College, nos Estados Unidos. Após liderar a igreja em Pequim ao lado do pastor Ezra Jin Mingri — também preso — mudou-se para Xangai em 2018, onde continuou seu trabalho por meio de pequenos encontros e pregações online depois que as atividades religiosas passaram a ser proibidas.

A família relatou que, desde junho, sofre assédio frequente de autoridades e do Departamento de Assuntos Religiosos, sendo forçada a trocar de residência repetidas vezes. No dia seguinte à prisão de Wang Lin, Ziming tentou deixar o país com os dois filhos, mas foi impedida por agentes de fronteira, que informaram que ela estava proibida de sair da China.

O caso aprofunda a preocupação da comunidade internacional com a repressão a grupos religiosos não registrados no país e evidencia o endurecimento das autoridades chinesas contra lideranças cristãs que atuam fora do controle estatal.

Com informações da Gazeta do Povo  

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