Agricultores protestam na França contra negociações comerciais com o Mercosul
Foto: Divulgação

Agricultores franceses iniciaram protestos nesta segunda-feira (18) contra o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul, temendo que a medida intensifique a crise no setor agrícola e a concorrência com produtos estrangeiros.

As manifestações, organizadas pelo principal sindicato agrícola da França, FNSEA, refletem a insatisfação dos produtores rurais com as condições de mercado. Segundo eles, um eventual acordo comercial traria produtos como carne bovina, frango, açúcar e milho do Brasil e da Argentina, países que utilizam práticas e insumos proibidos na Europa, como certos pesticidas e antibióticos de crescimento.

“Temos as mesmas exigências de janeiro, nada mudou”, afirmou Armelle Fraiture, agricultora de gado leiteiro ao norte de Paris. “Precisamos fazer com que o governo entenda que já é o bastante.”

Os protestos se somam a uma série de dificuldades enfrentadas pelo setor este ano, incluindo colheitas afetadas por chuvas intensas, surtos de doenças nos rebanhos e atrasos em medidas prometidas pelo governo após protestos anteriores. Em janeiro, os agricultores chegaram a bloquear rodovias por semanas devido à queda nos preços e ao aumento de importações de grãos da Ucrânia, o que agravou a crise no campo.

No domingo (17), o presidente Emmanuel Macron reafirmou sua oposição ao acordo com o Mercosul nos termos atuais. Apesar disso, a França enfrenta resistência dentro da União Europeia, onde outros países apoiam o avanço das negociações.

Além disso, os agricultores criticam a falta de ações concretas para aliviar a pressão sobre o setor. “Dezenas de milhares de fazendas estão em dificuldades financeiras”, disse Arnaud Rousseau, presidente da FNSEA, à BFM TV. “Esse acordo seria a cereja amarga no bolo.”

As manifestações, que começaram com bloqueios pontuais em rodovias e concentrações em prédios governamentais, devem se intensificar nos próximos dias e continuar até dezembro. Enquanto isso, o governo francês terá de lidar com o desafio de equilibrar as demandas dos agricultores com as pressões internacionais para concluir as negociações comerciais.

“Sabemos que estamos saindo para protestar, mas não sabemos quando voltaremos”, concluiu Fraiture, sinalizando que a insatisfação dos agricultores franceses deve seguir alimentando o cenário de tensão até que medidas concretas sejam tomadas.

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