De uma sentença de morte a um convite à vida

Livro conta a história de rapaz diagnosticado com câncer, por três vezes, e como ele venceu a doença. Metade da renda com a venda do livro ajudará a Casa Dona Vani

Aos 19 anos, Gabriel Claus foi diagnosticado com Linfoma de Hodgkin, um tipo de câncer que dá mais em homens jovens, um câncer curável e 90% das pessoas se curam, entra em remissão sem sintomas. Porém, depois de um ano de tratamento o câncer voltou, concluiu o tratamento com medula óssea. Depois de curado o câncer voltou pela terceira vez, e em um segundo tratamento com o transplante de medula óssea, recebeu a doação do irmão, um privilégio ter na família alguém cem por cento compatível. Desde então, já são seis anos em remissão e curado.

Economista de formação, fazendo mestrado, Gabriel gosta muito de falar, de dar palestras, cursos, treinamentos, consultoria. Tem um cachorro que ama, casado e atualmente se dedica integralmente a estudo, família e Sebrae, onde trabalha.

Sobre o livro

No segundo tratamento Gabriel criou um blog sobre seu dia a dia, relatando os medos e os anseios, fazia um pouco de piada e, assim, criou um hábito de escrever. As pessoas começaram a gostar das histórias dele, então começou a escrever não só sobre o tratamento. “Até porque o próprio tratamento já te permite a fazer várias reflexões sobre a vida. E durante o tratamento é um momento bem conturbado para escrever um livro”, diz.

Em um ano e meio depois do segundo transplante, em 2017 começou a escrever o livro. Com várias idas e vindas no final de 2018 terminou a primeira versão e no início 2019 as correções e adições e,enfim,  a publicação.

O livro tinha como principal objetivo uma meta pessoal, relembrar a trajetória de toda jornada durante os tratamentos, e depois vários outros objetivos foram aparecendo.

“Ao longo da escrita eu percebi que vários outros objetivos foram se formando. Acho que escrever a sua história como se você fosse de uma perspectiva de uma terceira pessoa, contar a história da gente, poder se conectar com nosso passado e ao mesmo tempo enxergar os momentos que a gente foi bom, os momentos que a gente deve pedir perdão para algumas pessoas. Foi um momento de reavaliar as coisas da vida, feito isso e principalmente  uma mensagem de esperança uma mensagem de fé, de redenção, uma história talvez de superação, e eu percebi que aquilo queera o meu o pagamento de tudo que eu recebi ao longo de todas as energias boas que eu recebi no tratamento, e o principal objetivo do livro é ser essa mensagem, mas ao mesmo tempo poder fazer algo prático. Foi então que eu decidi que todo o lucro eu doaria para outras causas e especificamente esse ano será para a Casa Dona Vani”, conta.

Casa Dona Vani

Quando foi fazer seu segundo transplante em Curitiba, Gabriel ficou na casa de uma tia. Ele brinca que foi a sua casa de apoio e teve todo o suporte e  outras condições para que essas questões financeiras, de moradia, alimentação e transporte fossem diminuídas, e assim ele vê a Casa Dona Vani, uma casa de apoio em Cascavel que conecta com outras pessoas que estão passando por situações semelhantes.

A Casa Dona Vani é uma casa de apoio com atendimento totalmente gratuito, gerida por voluntários e por doações e que dá suporte às pessoas que vêm fazer tratamento do câncer em Cascavel e ao acompanhante do paciente. A casa dá todo o suporte necessário para que as preocupações financeiras de ter onde comer, dormir, sejam acalentados, em um momento tão difícil que é o durante o tratamento de um ente amado. Hoje ele faz parte da diretoria da casa como suplente.

“A casa Dona Vani surgiu na minha vida de uma forma muito orgânica. Eu já conhecia Cláudia que é a idealizadora da casa e durante o meu tratamento passei um tempo de bastante reflexão e eu e minha esposa sempre tivemos vontade de fazer um trabalho voluntário. Foi aí que surgiu a casa, de um cartãozinho pego numa empresa a gente ligou pediu como que podíamos ajudar, mas não sabíamos fazer nada. Então, a gente passou a frequentar a casa para conversar com as pessoas, ouvir as pessoas, ser um ombro amigo. A gente deixa as pessoas se  permitirem, externalizar  os sentimento e percebemos como isso ‘é importante no momento que alguém que você ama está em tratamento, e o que importa ‘e  o bem-estar e a saúde do  acompanhante e que todos tenham esse ombro amigo e outros amigos ali dentro, ter com quem conversar sobre suas angústias e seus  anseios, pois ali todo mundo está no mesmo barco, literalmente”, finaliza Gabriel.

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