De cada 10 cientistas, 9 afirmam que coronavírus será endêmico

Especialistas ouvidos pela revista Nature acreditam que vírus não desaparecerá completamente e que campanhas de vacinação serão periódicas

Desde o começo da pandemia de coronavírus, a população mundial tem um desejo em comum: que o vírus desapareça para que a vida volte ao normal. Porém, de acordo com um levantamento feito pela revista Nature – uma das mais importantes publicações científicas do mundo – com 119 imunologistas, pesquisadores e virologistas, esse cenário pode nunca acontecer.

Quase 90% dos entrevistados acreditam que o coronavírus vai se tornar endêmico, ou seja, continuará circulando em algumas partes do mundo. Como o vírus da gripe, por exemplo, que matou 50 milhões de pessoas na pandemia de 1918 e que ainda hoje está presente e é o responsável por cerca de 650 mil mortes por ano.

“Erradicar o vírus do mundo agora é como planejar a construção de um caminho de pedras que levasse à Lua. Não é realista”, afirmou Michael Osterholm, epidemiologista da Universidade de Minessota, nos Estados Unidos, à reportagem da Nature.

Porém, mesmo com o vírus ainda fazendo parte da realidade mundial, ele não deve causar tantas mortes e ser o culpado pelo isolamento de comunidades inteiras. Como os outros coronavírus, que hoje provocam gripes leves, ele, provavelmente, evoluirá para uma versão menos letal e, dependendo do tipo de imunidade desenvolvida pela população, acarretará menos destruição.

As vacinas também devem ajudar para que esse cenário ocorra. Os especialistas entrevistados alertam que talvez seja necessário atualizar a fórmula a fim de garantir a eficácia contra as variantes, e o mais provável é que o imunizante tenha de ser aplicado anualmente.

“Acho que a Covid será eliminada de alguns países, mas com um risco contínuo (e talvez sazonal) de reintrodução vinda de países onde a cobertura vacinal e as medidas de saúde pública não forem boas o suficiente”, explica Christopher Dye, da Universidade de Oxford, no Reino Unido.

De toda forma, ainda falta muito para que a pandemia evolua para endemia. Para que isso ocorra, é preciso que os novos casos sejam constantes por vários anos, com apenas alguns picos. Com muitas pessoas ainda suscetíveis à Covid-19, a situação é classificada como pandemia.

Os cientistas também apontam que, antes de fazer previsões sobre o futuro com o coronavírus, é preciso entender como o sistema imunológico combate o vírus e por quanto tempo a proteção dura, assim como a eficácia das vacinas contra as novas variantes.

Mais de 70% dos entrevistados acreditam que as mutações das novas cepas, que tornam o coronavírus mais eficiente para se esconder do sistema imunológico, serão responsáveis pela permanência do vírus na sociedade.

Outro ponto de atenção, segundo os especialistas, é saber se o vírus está presente na natureza e se conseguiu se estabelecer entre populações de animais selvagens. “Não há doença na história da humanidade que tenha desaparecido da face da Terra quando animais eram parte importante da transmissão”, explica Osterholm.

Para garantir o futuro, os entrevistados reafirmam a necessidade de fazer o possível no presente com o objetivo de quebrar as cadeias de transmissão do vírus e evitar que ele sofra mutações perigosas. Enquanto não se alcança a imunidade de rebanho, as medidas de segurança devem continuar sendo reforçadas: uso de máscara, higiene das mãos e superfícies e distanciamento social são algumas das mais importantes.

Imagem: Ada Yokota/Getty Images

(Metrópoles) 

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