Atleta de Cristo e o abraço

Por Luiz Carlos da Cruz

Algumas coisas que acontecem comigo me deixam extremamente feliz. Não tem preço viver certas emoções. No fim da tarde de ontem minhas filhas decidiram cruzar a Avenida Brasil de bicicleta e foram até o Trevo Cataratas. Quando estavam no chafariz, na esquina da Avenida Rocha Pombo, me mandaram uma foto do passeio e pediram para que eu colocasse um tênis e fosse ao encontro delas caminhando.
Fiz isso, calcei o tênis e iniciei a caminhada. Quando estava no cruzamento da Rua Marechal Rondon fui abordado por um alegre morador de rua que vestia camisa do Palmeiras e usava uma tala de gesso no antebraço esquerdo.
– Ei, atleta de Cristo! Ei atleta de Cristo! – disse ele estendendo a mão.
– A paz de Cristo, atleta de Cristo – falou sorridente.
Respondi da mesma forma e com um sorriso nos lábios.
– A paz de Cristo!
O homem balbuciou algumas palavras sorrindo que eu não consegui entender e perguntou se poderia me pedir algo.
Rapidamente meu senso de “juiz” falou mais alto e fui logo julgando. Vai me pedir dinheiro, pensei comigo.
Pra minha surpresa ele fitou nos meus olhos e me falou o mais improvável naquele momento.
– Me dá um abraço, atleta de Cristo – disse ele.
Fiquei meio desconcertado e o abracei gostoso. Nem mesmo o forte cheiro de cigarro que vinha dele me incomodou. E olha que sou avesso a odor de tabaco.
Não poderia ter iniciado a semana de uma forma melhor. A segunda-feira fechou com chave de ouro.

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