As mulheres

Rosi Czepula Meassi

Acredito que mulher trabalhar fora, ser independente, ser chefe de família é natural. Graças a Deus, isso faz parte da evolução do mundo. Não vejo razão pra discutir o assunto em pleno século 21. Existe muito espaço para homens e mulheres conviverem pacificamente. Afinal entre homens e mulheres só há uma diferença natural, o sexo. Mas verdade seja dita, se hoje, no mercado de trabalho existem tantos pontinhos cor de rosa, quanto azuis é graças às mulheres que precisaram, sim, lutar por isso. A história mostra nomes de grandes mulheres que brigaram muito para que hoje tivéssemos o direito de trabalhar fora e ser independente financeiramente. Eram mulheres revolucionárias que batiam de frente com a polícia e com o “sistema”. Mulheres como a minha avó, mas ela não fazia passeatas e nem enfrentava a polícia. Ela gostava de fazer compota de pêssego, pois era uma mãe dedicada. E além de cuidar das filhas, do marido, da casa, do gato, do papagaio e de fazer caridade, ainda lecionava. E, pelo que sei, ela caminhava muito por uma estrada de chão, enfrentando chuva e sol para chegar ao local de trabalho. Um quadro bem diferente da realidade da maioria de nós. Alguns viam a minha avó como uma mulher forte, destemida, capaz de resolver qualquer problema, para ajudar à família e a quem precisasse. Outros já não a viam com bons olhos, afinal era uma mulher diferente, independente e o pior, uma mulher que tinha opinião própria. E isso, naquela época, era muito ameaçador, era coisa do outro mundo. Acredito que esse exemplo tenha ajudado à maioria de vocês a lembrar de mulheres assim. Alguma avó, ou bisavó ou vizinha meio doida, lá dos tempos de criança.

Hoje, nem tudo são flores. Infelizmente, têm coisas que não combinam nem um pouco com a figura feminina no mercado de trabalho. Algumas mulheres têm a mesma atribuição e a mesma responsabilidade de homens no emprego, no entanto recebem menos que eles. Outra questão que é tão triste quanto à anterior, são as mulheres que sustentam a casa e ainda são exploradas por homens. Exploradas em todos os sentidos, principalmente no financeiro. Algumas ainda, quando voltam pra casa, assumem o papel de saco de pancada. E nem sempre a “Santa Maria da Penha” resolve. Essa realidade, sim, tem que ser discutida porque, por favor, precisamos continuar evoluindo.

Rosi Czepula Meassi é jornalista

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