Uma igreja amedrontada

“Não temas diante deles; porque estou contigo para te livrar, diz o Senhor”. (Jeremias 1:8)

Por Luiz Carlos da Cruz

As eleições presidenciais de 2018 fez surgir uma Igreja que até então eu não conhecia: A Igreja que tem medo. Uma força-tarefa evangélica/católica se formou para combater um candidato de esquerda cujo partido tem claros projetos contrários ao povo de Deus. Lutar contra esses projetos é nosso dever como cristão, mas o medo é algo que Deus abomina. “Porque Deus não nos deu o espírito de temor, mas de fortaleza, e de amor, e de moderação”, escreveu Paulo em sua segunda carta ao jovem pregador Timóteo. Moderação e amor, no entanto, é o que menos se vê entre o povo cristão em tempos de extremismos políticos.

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Não tenham dúvidas, a perseguição virá, e muito breve. É claro que como cristãos não devemos contribuir para que ela se instale em nosso meio. Cristão que vota em partidos de esquerda como o PT, PCdoB, PSOL e outros estaria dando sua parcela de contribuição para que a perseguição, que se apresenta de forma diferente em cada região do planeta, ganhe seu espaço no Brasil.

Mas, francamente, é hora de deixar o medo de lado por causa de governantes. O profeta Daniel deixa claro que é Deus quem destrona reis e os estabelece. Independente de quem seja o eleito, será uma autoridade constituída por Deus, como ensinou o apóstolo Paulo em sua carta aos romanos. O próprio Jesus confrontou Pilatos sobre a origem da autoridade do governante. “Não terias poder nenhum sobre mim se não te tivesse sido dado do alto”.

A Igreja de Cristo não está totalmente errada em sua mobilização, mas extrapolou todos os limites do bom senso ao entrar em campanhas agressivas misturando o reino da terra com o Reino dos Céus. Fiquei estarrecido e triste ao ver um batismo cristão, que deveria ser um ato de reverência ao sepultar a velha criatura, se transformar em apologia política a um determinado candidato. O ato foi comandado por lideres evangélicos de todos os estados do Brasil e aconteceu no rio Jordão, em Israel. Outro fato lamentável foi ver o público evangélico vaiando um presidenciável na Expocristã, nesta semana, em São Paulo, uma agressão completamente desnecessária e que não condiz com o comportamento cristão. Em que tipo de cristãos nos transformamos? Depois estufamos o peito para dizermos que Davi não ousou afrontar o rei Saul, mesmo sendo perseguido por ele.

Não tenham dúvidas de que a perseguição virá com leis cada vez mais pesadas contra a Igreja. No entanto, nosso papel não é combater a perseguição, mas continuar a ensinar o amor a Deus e ao próximo, os dois pilares do evangelho.

E se o próximo governo perseguir a Igreja? Como diria aquele outro candidato: “Glória a Deusssss!” A história mostra que a Igreja de Cristo teve seu maior crescimento – não estou falando de uma igreja inchada como a atual – nos momentos de perseguição. A China, um dos países mais fechados para o evangelho, está experimentando nas últimas semanas uma das maiores perseguições de todos os tempos com igrejas e bíblias sendo queimadas. Em contrapartida, os relatos de conversões em massa ganham força.

Nada pode nos separar do amor de Cristo e não será o retorno de um eventual governo de esquerda que nos distanciará do nosso Salvador. A participação cristã na política é necessária, mas me causa preocupação essa união Igreja/Estado que está se pretendo formar. Isso faz o evangelho perder o foco. Foi assim na Idade Média quando as maiores heresias foram introduzidas ao Evangelho durante o tempo em que ficou conhecido como Período das Trevas.

O atual momento político não pode ser de temor, mas de esperança em Deus. Talvez a perseguição seja necessária para que o dono da seara tire a Igreja dele de dentro da igreja dos homens. Deus é soberano em tudo.

Luiz Carlos da Cruz

Jornalista cristão

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