Quando o amor fala mais alto…

Luiz Carlos da Cruz – da Editoria

“Toda a Lei se resume num só mandamento: ‘Ame o seu próximo como a si mesmo’”. Foi desta forma que o apóstolo Paulo reforçou as palavras de Jesus ao escrever sua carta aos Gálatas. Hoje, esta frase é repetida em muitas pregações e no dia a dia dos cristãos, porém, muito pouco exercitada.

Alguns ministérios, no entanto, entenderam a importância de fazer o mesmo que Jesus Cristo fazia e estão mostrando compaixão e estendendo a mão aos excluídos. Em Cascavel, um dos projetos que tem demonstrado na prática o que é exercitar o amor é o Mevam (Missões Evangelísticas Vinde Amados Meus).

Todas as segundas e sextas-feiras, voluntários do projeto se reúnem na igreja, que fica na Rua General Osório, no centro de Cascavel, para acolher moradores de rua. Banheiros foram construídos para que os mendigos possam tomar banho e depois de ouvirem uma palestra eles têm acesso à roupas e calçados, além de um saboroso jantar. Constantemente recebem orientações de profissionais como dentistas e médicos, entre outros.

Alguns moradores de rua que passaram pelo projeto, hoje estão empregados, moram em uma boa casa e fazem questão de ser voluntários para auxiliar nos trabalhos.

O pastor Nildo Alves, titular da igreja, conta que o trabalho foi iniciado há quatro anos e, neste período, alguns moradores se recuperaram e voltaram ao convívio familiar. Recentemente houve até um casamento entre dois moradores de ruas. “A Bíblia diz: ‘grite em favor dos órfãos; manifeste em favor dos necessitados’. É esse o projeto e propósito da igreja”, destaca.

Entre os ex-moradores de rua que hoje fazem parte do projeto está um rapaz que faz o corte de cabelos das pessoas em situação de rua e um que cuida da igreja. Um casal que foi totalmente restaurado recebeu uma casa com todos os móveis dos voluntários do projeto.

Para o pastor Nildo, a Igreja não pode ser sinônimo de prisão. “O maior problema que eu vejo no nosso meio evangélico é que aprendemos a ser religiosos e o Senhor nos chama para edificar o Reino, anunciar o Reino, enquanto que a religião chama para edificar prédios, e edificar coisas para que as pessoas possam ser presas dentro dela. Jesus nos chama para anunciar o Reino e não prender as pessoas”, observa.

Um dos idealizadores do projeto foi o pastor Valmir Lima, que trabalhou para consolidar os trabalhos com os moradores de rua. Seu esforço resultou no trabalho que é desenvolvido hoje. Todas as segundas e sextas-feiras ele está lá auxiliando nos projetos sociais e ajudando a resgatar vidas.

Robson é ex-morador de rua e contou seu testemunho no Mevam

Moradores de rua em lágrimas

Na sexta-feira, 22 de junho, mais de 30 moradores de rua acompanharam em lágrimas o testemunho de um ex-morador da região noroeste do Paraná. Robson Calistro foi músico de uma banda de sucesso, mas depois de experimentar maconha, cocaína e crack acabou nas ruas.

Robson conta que ficou cinco anos nas ruas. Disse que começou fumar maconha de brincadeira até se envolver com outras drogas. “Namorei com a maconha, noivei com a cocaína e me casei com o crack. E o casamento não deu certo”, diz.

Ele relatou os desprezos que sofria na rua. “Eu via pessoas chegar para um cachorro e falar ‘vem cá’ e para mim dizer ‘sai daqui seu nóia’”, relatou. Ele ressalta, no entanto, que também foi na rua que conheceu o amor. O pastor Nilton sempre dizia a ele que Deus mudaria sua história. “Ele me abraçava, chorava e dizia que Deus iria mudar a minha história”, diz.

Foi o pastor Nilton que levou Robson para uma clínica de recuperação, mas ao deixar a clínica ele voltou a usar drogas. E assim foram várias tentativas, mas chegou um tempo que ninguém mais acreditava nele. Tentou suicídio por três vezes e uma delas quis se matar de overdose porque acreditava que só a sua morte traria paz a família. Depois disso Robson fez a oração “mais louca” que poderia fazer. Na quarta tentativa de suicídio ele dobrou os joelhos, olhou para o alto e disse: “Deus eu não aguento mais, o bagulho é louco Deus”. Foi quando as coisas começaram a mudar.

Um empresário o encontrou na rua em Cianorte e o reconheceu. Perguntou se ele era o Robinho Batera. Ele respondeu que não, que ele foi o bateirista e que hoje era um “nóia”. O empresário contou que ele já havia ajudado ele um dia e disse que pretendia retribuir. Lembrou que o filho dele tinha problemas de saúde e que melhorou com as aulas de bateria que Robson dava. “Se você quer me ajudar mesmo pegue um revólver e me dê um tiro na cabeça”, disse ele ao empresário.

Depois de um tempo, foi convencido a ir para a clínica e, desta vez, o milagre aconteceu. Ele aceitou a Jesus, teve a vida transformada e algum tempo depois sua ex-namorada, a mulher que ele tanto amou, bateu na porta de sua casa, contou que tinha uma filha de dez anos com ele. Ele não acreditou, a moça fez um teste de DNA e apresentou a filha. Disse que nunca contou à filha quem era o pai porque ele vivia nas ruas e que agora havia chegado a hora de revelar. Algum tempo depois eles estavam casados e hoje vivem uma vida de amor.

Conhecendo o projeto

Pastor Nilton Gasparetto é de Cianorte e veio conhecer o projeto do Mevam

O pastor Nilton Carlos Gasparetto, que é o pastor de Robson na cidade de Cianorte, esteve no Mevam em Cascavel para conhecer o projeto. Ele diz que a igreja bíblica, a igreja do Senhor é aquela que atende ao necessitado. Lembra que Jesus não está preocupado com templos, mas com vidas.

“A igreja precisa atender as necessidades das pessoas, se ela deixa de fazer isso perde a existência. Jesus está preocupado se a Igreja olha a multidão com misericórdia, com compaixão. Nós ainda sonhamos com uma igreja que faça a diferença neste mundo e o que eu vejo aqui em Cascavel é uma Igreja que está fazendo a diferença”, destaca.

“Já estive do outro lado”, diz pastor

Coordenando o proejto hoje, o pastor Giovani Baroni, diz acreditar no projeto porque também já esteve do outro lado. Baroni já esteve no mundo do crime, participou de facções criminosas e hoje trabalha para restaurar vidas. Na sua empresa de pintura, ele emprega dois funcionários que são ex-moradores de rua.

Baroni diz que foi resgatado para resgatar. “Eu acredito nesse pessoal porque já estive do outro lado. Eu já fui uma pessoa que ninguém dava nada, ninguém dava valor, mas alguém acreditou em mim e hoje estou aqui para ajudar eles”, relata. Ele diz que não tem como desistir das pessoas. “Na verdade se você desistir de pessoas você não crê no Evangelho porque o Evangelho transforma”, diz.

Fora da rua

A reportagem do Boas Notícias conversou com um jovem que está no projeto e que deixou às ruas há seis meses e está firme frequentando as reuniões com os moradores de rua. Por opção, preferimos preservar a imagem do jovem que conta ter morado durante um ano nas ruas de Cascavel. “Passei bastante frio aqui em Cascavel”, conta. Antes disso, ele também viveu como morador de rua em Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Ele conta que foi convidado por outros moradores de rua para conhecer o projeto do Mevam. “O pessoal me trouxe aqui na igreja, eu não sabia como era. Aqui tomei banho, consegui uma roupa boa, tênis e umas coisas que eu precisava. Conheci o pastor Giovani e pedi serviço pra ele”, conta.

O pastor Giovani, que hoje lidera o projeto no Mevam, ofereceu a casa dele para o jovem morar por algum tempo até conseguir uma pensão. Hoje, seis meses depois, além de estar trabalhando como pintor ele conheceu uma jovem e já está planejando o casamento. Até a casa já está montada. “Dentro da casinha só falta geladeira, o resto tem tudo”, relata.

 

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