Morte de pastor reacende debate sobre depressão entre líderes

A morte do pastor Julio César da Silva, presidente da Assembléia de Deus (Ministério Madureira), na Tijuca, Rio de Janeiro, reacendeu o debate sobre problemas de depressão enfrentados por pastores evangélicos.

O pastor, que também presidiu a denominação na cidade de Arauama, foi encontrado morto na manhã desta terça-feira (12) em sua casa. Segundo a polícia, Júlio Cesar cometeu suicídio por enforcamento.

O velório aconteceu durante a madrugada na igreja da Tijuca. O bispo Abner Ferreira e mais de 50 pastores estiveram presentes. O sepultamento será em Goiânia, onde tem família. O pastor deixa esposa e duas filhas.

A cantora Flordelis esteve com o pastor Júlio César Silva na última semana e se manifestou pelas redes sociais.

“Luto na Nação Madureira pela partida desse amigo pastor Júlio César Silva. Estivemos juntos na sexta-feira no lindo congresso da CIBET, onde ele presidia na AD da Tijuca. Fizemos planos para 2018, mas algumas respostas só teremos na eternidade!”, escreveu em uma rede social.

Debate

O assunto foi discutido durante toda a manhã desta quarta-feira (13) um grupo de pastores de Cascavel no WhatsApp. Pastores absorvem muitos problemas, mas também são humanos e muitas vezes não têm com quem contar na hora que passam por uma dificuldade.

“Fica o alerta amigos pastores, na hora da dor procure um amigo ou um psicólogo. Nós pastores temos uma grande dificuldade em encontrar amigos para desabafar, aconselhar etc… pois uma hora as pessoas estão ao seu lado, outra hora saem da igreja. Meu conselho seria procure um profissional ou um amigo sincero ao primeiro sinal de que não está bem no psicológico”, escreveu o pastor Ricardo Siqueira, da Igreja Congregante em Cristo.

“Um grande número de líderes e pastores tem sido vítima dessa doença silenciosa, Porque somos obrigados ter que ser fortes o tempo todo”, postou outro pastor.

Preocupante

O suicídio de pastores, líderes e filhos de líderes cresce em todo o mundo e preocupa, tendo sido até batizado de “onda de suicídios”, mesmo não sendo algo novo. Há registros bíblicos de líderes como Sansão, Saul e Judas que tiraram suas vidas. Van Gogh, que além de pintor foi pastor, é um dos mais famosos a aplicar a pena capital contra si mesmo.

Nos últimos anos, vários pastores americanos tiraram suas vidas e, assim como no Brasil, o fato passa a ter certa frequência.

O que está acontecendo com os que estão na função de cuidado, mas não conseguem administrar suas próprias demandas? Por que pessoas que já ajudaram a tantos, desistem da própria vida? De acordo com o Instituto Schaeffer, “70% dos pastores lutam constantemente contra a depressão, 71% se dizem esgotados, 80% acreditam que o ministério pastoral afetou negativamente suas famílias e 70% dizem não ter um amigo próximo”.

Motivos

A causa mais comum noticiada para o suicídio de pastores e líderes, é a depressão associada a esgotamento físico e emocional, traições ministeriais, baixos salários e isolamento por falta de amigos.

Sim, pastores têm poucos amigos, e às vezes nenhum. Isso é visível em reuniões nas quais a maioria conta proezas, sucessos, vitórias e conquistas na presença dos demais, num clima de competição para mostrar que possui êxito no exercício ministerial. Entretanto, quando a conversa é íntima, o sofrimento se revela. Boa parte está cansada, desanimada, chateada com a igreja e com a liderança. Muitos possuem dificuldades no cuidado com a família e as finanças de alguns estão desequilibradas.

Isso acontece, em parte, porque pastores contemporâneos são cobrados como executivos ou técnicos de clubes de futebol, que precisam oferecer resultados numéricos às suas instituições. Caso contrário perdem seus membros, emprego, salário, moradia e sustento da família. É uma pressão enorme sobre os ombros de um ser humano.

A figura do pastor-pai-cuidador está escassa; aquele que expõe a Palavra à comunidade-família, aconselha os que sofrem e cuida dos enfermos e das viúvas. Há uma crise de identidade funcional entre o chamado pastoral e as exigências do mercado religioso institucional.

Com informações da Sepal

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