Igreja de haitianos tem culto na língua nativa em Cascavel

“Era estrangeiro, e me hospedaste.” Esta será uma das frases que todos ouvirão de Jesus Cristo naquele grande dia quando o dono da Seara irá separar o joio do trigo.

Em Cascavel, a Comunidade Cristã Ágape teve a iniciativa de acolher irmãos estrangeiros oriundos do Haiti e que vieram para o Brasil em busca de novas oportunidades após o  forte terremoto que sacudiu o país caribenho e provocou dezenas de milhares de mortes em janeiro de 2010.

A história dos haitianos com a Comunidade Ágape teve início em 2013 quando um jovem procurou a igreja. Este rapaz, chamado Jean, hoje mora no Canadá e auxilia uma Igreja Assembleia de Deus.

Ele foi desafiado pelo pastor Aristides Alves dos Reis  a trazer outros jovens para a igreja. Logo retornou com três e em pouco tempo já eram dez e rapidamente o número de haitianos na comunidade subiu para 20. “Nossa história com os haitianos é muito bonita e maravilhosa”, destaca o pastor Aristides.

A igreja criou uma escola de português para auxiliar os haitianos que chegavam a Cascavel. Numa parceria com a Unioeste, que cedeu professores de português, dezenas de imigrantes aprenderam a dominar o novo idioma. As aulas aconteciam na própria igreja.

O tempo passou e o espaço dentro da Comunidade Ágape ficou pequeno para tantos haitianos sedentos por Deus. Foi preciso se ajustar ao crescimento e o pastor Aristides viu a necessidade de os migrantes terem uma liderança própria estabelecida. “Ordenamos um pastor, auxiliamos ele a fazer teologia e ordenamos dois diáconos”, conta.

Hoje, os cultos são dirigidos pelo pastor Faustin Nelcy e reúnem mais de 200 pessoas aos domingos. A igreja dos imigrantes já se tornou pequena e não cabe todos os membros, muitos ficam do lado de fora, mas não deixam de comparecer aos cultos que chegam a ter quatro horas de duração.

No rosto de cada imigrante é possível ver a alegria de louvar a Deus. “A maioria das pessoas aceitaram a jesus no Haiti e congregavam em igrejas diferentes”, relata o pastor Faustin. Dezenas de membros, no entanto, conheceram a Palavra de Deus na igreja.

O pastor Faustin conta que existe na igreja um Departamento de Evangelismo, que tem buscado levar uma mensagem de fé aos demais haitianos que moram em Cascavel, mas que ainda não congregam em uma igreja evangélica.

Os cultos são ministrados na língua nativa, mas quando há um pregador brasileiro, um irmão faz a tradução. O pastor Aristides prega uma vez por mês na igreja.

Auxílio mútuo
Unidos, os crentes haitianos se tornaram referência para toda a comunidade de imigrantes oriundos do país caribenho. “Eles não se cansam de adorar a Deus. Vivem como era igreja primitiva. Ajudam-sedurante a semana. Se alguém tem necessidade um ajuda ao outro”, conta o pastor Aristides.

Eles já chegaram a fazer arrecadação de alimentos entre eles e distribuíram 40 cestas básicas para famílias haitianas que passavam por dificuldades financeiras. “Tenho observado que eles têm feito coisas que nós, como igreja, não estamos fazendo nesta questão de suprir os necessitados”, observa o pastor Aristides.

Verdadeiros discípulos
A igreja dos haitianos se tornou independente e a Comunidade Cristã Ágape apenas dá cobertura espiritual ao pastor Fautin. Muitos casamentos e batistmos já aconteceram na igreja e praticamente em todos os cultos há visitantes.

O pastor Aristides não esconde a alegria de estar com os haitianos. “Durante todo esse tempo que estivemos juntos, nunca tivemos problema de falha de caráter, rebeldia ou desobediencia. Eles são muito ensináveis, se portam como verdadeiros discípulos de Jesus”, diz.

Quando veio para o Brasil, o pastor Faustin deixou a família no Haiti. A Comunidade Ágape realizou eventos para trazer a família para Cascavel, assim como outros haitianos foram auxiliados para trazer os familiares.

 

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