Evangelismo durante a Copa

Luiz Carlos da Cruz

Da redação

Eles são jovens e deixaram o Brasil para estarem na Rússia nos meses de junho e julho, não exatamente para acompanhar a seleção brasileira, mas para levar amor e fé ao povo russo e aos milhares de turistas que se espalham pelo país durante a Copa do Mundo. Somente da base de Porto Alegre (RS), são 11 integrantes da Jocum (Jovens Com Uma Missão) que estão espalhados pela Rússia para um evangelismo de impacto. No total, a Jocum do Brasil enviou aproximadamente 300 pessoas.

A reportagem do Boas Notícias conversou com Flávia Cristina de Jesus Silva, que participa do projeto missionário junto com o filho José Otávio, de apenas 10 anos. Ela conta que o grupo encontrou um povo sedento por Deus, muitas conversões, mas um difícil encaminhamento das pessoas por conta da legislação local.

Flávia participa em tempo integral da Jocum há 17 anos e trabalha na Eted (Escola de Treinamento e Discipulado). A Jocum sempre atua com impactos evangelísticos em eventos que reúnem grande número de pessoas como a Copa do Mundo, Olimpíadas, Festa de Barretos, entre outros.

“Então, em oração entendemos de virmos com uma equipe da Jocum POA e nos juntarmos a outras equipes que estão espalhadas aqui na Rússia durante esse tempo de Copa do Mundo. Estamos em uma cidade chamada Kaliningrad”, conta.

Foi o movimento “Jesus 4 all” que abriu as portas para que os jovens viajassem para a Rússia. Jesus 4 all é um movimento que nasceu na Jocum em 2015, com objetivo de proclamar as boas novas de Cristo a toda criatura, antes, durante e depois do Jogos Olímpicos e Paralímpicos no Rio de Janeiro. Esse movimento tem como base oração, unidade e avivamento para que o Evangelho seja anunciado a toda criatura.

 

Legislação restringe o Evangelho

O grupo chegou à Russia no dia 6 de junho e ficará por lá até 10 de julho levando o amor de Cristo. “E nesses dias que estamos aqui temos encontrado um povo sedento. Porém, em 2016, foi aprovada uma lei que proibiu qualquer forma de levar alguém a conhecer a Jesus. Pais não podem evangelizar seus próprios filhos e dentro de uma igreja não se pode fazer apelo para alguém aceitar a Jesus. Não se pode conduzir ninguém a Cristo”, conta.

O grupo está trabalhando em parceria com uma igreja russa, mas qualquer pregação que tenha como proposta levar à conversão, mesmo que seja dentro da igreja, pode render multa que equivalem a R$ 50 mil. “E ainda podemos deixá-los [os pastores] em uma situação de ter que fechar as portas da igreja”, diz Flávia.

Riscos

Mesmo correndo riscos, os jovens têm falado do amor de Jesus. “Já temos tido algumas decisões, porém estamos esbarrando com a lei e não sabemos para onde enviar essas pessoas já que não podemos levá-las à igreja”, conta. Um jovem chamado Hegor aceitou Jesus e resolveu seguir o grupo missionário por onde os jovens andam, inclusive participando das orações.

Os jovens missionários vivenciaram algumas experiências que não são comuns no Brasil como, por exemplo, crianças que aprendem a montar e desmontar armas verdadeiras em 30 segundos. Elas também têm treinamentos de como usar máscaras de oxigênio, uma simulação para um eventual ataque com bomba atômica. São treinadas para atuarem na guerra.

Flávia relata sobre dois rapazes que ouviram o evangelho e foram ministrados pelo amor de Cristo. “Mesmo com pouco inglês, Deus abriu minha boca e eles entenderam o recado. E lágrimas correram do rosto deles. E o cigarro foi jogado fora. Todo investimento se torna muito pouco quando se trata de vidas”, observa.

A missionária brasileira conta que na Rússia ninguém pode ser abordado e convidado para ir à igreja. “Se vierem [à igreja] e eles entenderem que nós os estamos convidando somos deportados, teremos que pagar uma multa e ainda colocamos em risco a igreja local”, relata.

 

Evangelismo com crianças

O grupo tem ocupado espaços públicos para o evangelismo. Eles usam ações sociais, esporte, teatro e brincadeiras para demonstrar o amor de Cristo e evangelizar crianças e jovens.

“Fizemos um trabalho de evangelismo em uma quadra que tem aqui perto da igreja. Jogamos bola, pintamos o rostinho de crianças, fizemos teatro, etc. Hoje sem que percebêssemos eles nos seguiram. Queriam saber  onde estamos e encontraram a igreja”, conta.

Flávia conta que sabia das restrições ao Evangelho e afirma que viver isso na pela traz uma sensação terrível. “Hoje [sexta-feira, 22 de junho] enquanto almoçávamos apareceram umas crianças do lado de fora e uma irmã veio nos dizer que elas estavam nos esperando e que não podiam entrar. Elas só queriam estar conosco, mas nas dependências da igreja não podem. Aí abrimos mão de assistir ao jogo do Brasil para ficarmos com elas. Estão querendo aprender português”, conta Flávia.

AJUDE A MISSÃO

O grupo missionário que está na Rússia precisa de ajuda. Alguns viajaram, mas ainda não conseguiram quitar os valores das passagens aéreas. Qualquer oferta pode ser depositada na seguinte conta:

Banco Itaú

Agência 1334

Conta Poupança 44009-4/500

Em nome de Flávia Cristina de Jesus Silva

 

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