Catarina Von Bora, mulher de Lutero, influenciou na Reforma Protestante

Catarina von Bora (Intervenção de Cristina Kashima sobre pintura de Lucas Cranach)

Catarina von Bora tinha 26 anos e sangue nobre, mas quase nenhum dinheiro. Arrumar um bom casamento não era fácil para uma moça como ela: orgulhosa, insubmissa e, pior de tudo, fugida de um convento. Ela vivia de favor na casa de Lucas Cranach, um pintor famoso na cidadezinha de Wittenberg, na Saxônia (que viria a ser parte da Alemanha), e se envolveu num romance com Jerônimo Baumgärtner, um estudante de Nuremberg. Os pais dele se opuseram ao casamento. Não queriam o filho amarrado a uma ex-freira pé-rapada. Jerônimo preferiu obedecer aos pais e não respondeu mais às cartas da namorada. Como muitas moças evangélicas depois dela, Catarina foi conversar com o pastor sobre os tormentos de seu coração. O pastor dela era Martinho Lutero, comandante da Reforma Protestante, a revolução religiosa que sacudia a Europa há exatos 500 anos.

Lutero escreveu ao noivo fujão: “Se você quer sua Catarina von Bora, é melhor fazer alguma coisa rapidamente, antes que ela seja dada a outra pessoa que a queira”. Baumgärtner ignorou o pastor, que tomou para si a tarefa de arranjar um casamento para Catarina, a única ex-freira de Wittenberg que continuava sem marido. Lutero sugeriu a ela que desposasse o velho pastor Casper Glatz. Catarina disse não, mas emendou que se disporia a casar, quem sabe, com o próprio Lutero.

Rolou. No final da tarde de 13 de junho de 1525, uma terça-feira, Catarina casou com Lutero, 16 anos mais velho que ela. Lutero não ardia de amores por Catarina, mas afirmou em cartas que a estimava “em alta conta”. Ele resolveu casar para agradar ao pai (que sempre lhe pedia netos), irritar o papa e confirmar seu ensino de que pastores protestantes, em especial os que, como ele, eram ex-monges ou ex-­padres católicos, deviam tomar esposas para si. O casório do “pastor da nação” foi tão importante para a Reforma que sua noite de núpcias contou com um pequeno público, testemunhas que aquele não era um “casamento de José” – uma referência brincalhona de Lutero à crença católica de que Maria, a mãe de Jesus, permaneceu virgem até o fim. Segundo a historiadora americana Ruth Tucker, autora da recém-publicada biografia A primeira-dama da Reforma: a extraordinária vida de Catarina von Bora (Thomas Nelson Brasil, 224 páginas, R$ 29,90), com exceção do anúncio das 95 teses que marcaram o início do protestantismo em 1517, o casamento de Lutero foi o evento que melhor definiu os rumos da Reforma. “Catarina von Bora foi a pessoa mais importante da Reforma Protestante depois de Lutero. Não acredito que ele teria encontrado outra mulher capaz de mantê-lo mental, física e financeiramente saudável como Catarina foi capaz. Sem ela, talvez a Reforma tivesse sido diferente”, afirma Ruth, que, carinhosa, chama Catarina de “Katie Lutero”.

Catarina vivera enclausurada num convento desde os 5 anos de idade. Acompanhada por outras 11 irmãs, fugiu para se unir aos protestantes, que incentivavam a deserção de monges e freiras e gostavam de repetir que mosteiros e conventos eram piores que prostíbulos. Essa estranha patota de ex-freiras chegou a Wittenberg no Domingo de Páscoa de 1525, poucos meses antes do casamento de Catarina e Lutero. Pouco se sabe sobre a vida íntima de Catarina. Não há notícias de diários que ela tenha escrito e apenas oito de suas cartas foram preservadas – todas sobre transações comerciais, sem nenhuma confissão.

Catarina von Bora tinha 26 anos e sangue nobre, mas quase nenhum dinheiro. Arrumar um bom casamento não era fácil para uma moça como ela: orgulhosa, insubmissa e, pior de tudo, fugida de um convento. Ela vivia de favor na casa de Lucas Cranach, um pintor famoso na cidadezinha de Wittenberg, na Saxônia (que viria a ser parte da Alemanha), e se envolveu num romance com Jerônimo Baumgärtner, um estudante de Nuremberg. Os pais dele se opuseram ao casamento. Não queriam o filho amarrado a uma ex-freira pé-rapada. Jerônimo preferiu obedecer aos pais e não respondeu mais às cartas da namorada. Como muitas moças evangélicas depois dela, Catarina foi conversar com o pastor sobre os tormentos de seu coração. O pastor dela era Martinho Lutero, comandante da Reforma Protestante, a revolução religiosa que sacudia a Europa há exatos 500 anos.

Lutero escreveu ao noivo fujão: “Se você quer sua Catarina von Bora, é melhor fazer alguma coisa rapidamente, antes que ela seja dada a outra pessoa que a queira”. Baumgärtner ignorou o pastor, que tomou para si a tarefa de arranjar um casamento para Catarina, a única ex-freira de Wittenberg que continuava sem marido. Lutero sugeriu a ela que desposasse o velho pastor Casper Glatz. Catarina disse não, mas emendou que se disporia a casar, quem sabe, com o próprio Lutero.

Rolou. No final da tarde de 13 de junho de 1525, uma terça-feira, Catarina casou com Lutero, 16 anos mais velho que ela. Lutero não ardia de amores por Catarina, mas afirmou em cartas que a estimava “em alta conta”. Ele resolveu casar para agradar ao pai (que sempre lhe pedia netos), irritar o papa e confirmar seu ensino de que pastores protestantes, em especial os que, como ele, eram ex-monges ou ex-­padres católicos, deviam tomar esposas para si. O casório do “pastor da nação” foi tão importante para a Reforma que sua noite de núpcias contou com um pequeno público, testemunhas que aquele não era um “casamento de José” – uma referência brincalhona de Lutero à crença católica de que Maria, a mãe de Jesus, permaneceu virgem até o fim. Segundo a historiadora americana Ruth Tucker, autora da recém-publicada biografia A primeira-dama da Reforma: a extraordinária vida de Catarina von Bora (Thomas Nelson Brasil, 224 páginas, R$ 29,90), com exceção do anúncio das 95 teses que marcaram o início do protestantismo em 1517, o casamento de Lutero foi o evento que melhor definiu os rumos da Reforma. “Catarina von Bora foi a pessoa mais importante da Reforma Protestante depois de Lutero. Não acredito que ele teria encontrado outra mulher capaz de mantê-lo mental, física e financeiramente saudável como Catarina foi capaz. Sem ela, talvez a Reforma tivesse sido diferente”, afirma Ruth, que, carinhosa, chama Catarina de “Katie Lutero”.

Catarina vivera enclausurada num convento desde os 5 anos de idade. Acompanhada por outras 11 irmãs, fugiu para se unir aos protestantes, que incentivavam a deserção de monges e freiras e gostavam de repetir que mosteiros e conventos eram piores que prostíbulos. Essa estranha patota de ex-freiras chegou a Wittenberg no Domingo de Páscoa de 1525, poucos meses antes do casamento de Catarina e Lutero. Pouco se sabe sobre a vida íntima de Catarina. Não há notícias de diários que ela tenha escrito e apenas oito de suas cartas foram preservadas – todas sobre transações comerciais, sem nenhuma confissão.

Segundo Ruth Tucker, não há nenhuma indicação de que ela fosse uma evangélica devota ou típica mulher de pastor, dessas que lideram grupos de oração e estudos bíblicos para senhoras. “Se Catarina fosse uma mulher de profunda espiritualidade, haveria evidência disso nas cartas de Lutero”, diz. “Mas ele nunca escreveu a ela agradecendo por suas orações ou por ensinar a Bíblia aos filhos. O que ele dizia era sentir falta da cerveja que ela fazia.” Há uma carta em que Lutero afirma ter apostado dinheiro com a mulher se ela terminasse de ler a Bíblia até a Páscoa (não se sabe quem ganhou a aposta). Heloisa Gralow Dalferth, pastora luterana e autora de Katharina von Bora – Uma biografia (Editora Sinodal), discorda que a senhora Lutero tivesse pouca fé. “Catarina dialogava com Lutero e seus alunos, e também com outros reformadores que se reuniam em sua casa. Sabe-se que foi ela quem influenciou Lutero a escrever De servo arbítrio, uma resposta a Erasmo de Roterdã [humanista holandês]”, diz. “Conta-se que ela nem sempre conseguia frequentar os cultos, pois estava ocupada cuidando de doentes.” Fazer cerveja para Lutero talvez também lhe ocupasse bastante o tempo.

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